domingo, 29 de dezembro de 2013

Papo de facebook!

Questão:
Cara, me tira uma dúvida...
Certa vez ouvi comentários que o Adventismo não se "rotula" como evangélico, nem pentecostal, nem protestante... O que seria então?

Resposta:
Não... Somos protestantes sim! No livro O Grande Conflito a Ellen deixa bem claro que fomos chamados para concluir a reforma protestante!

Questão:
E qual é a diferença de protestante e evangélico?

Resposta:
Então... Já ia te falar isso mesmo...

Na essência não somos evangélicos atualmente porque o mundo evangélico diferiu muito nas questões teológicas. Histórica e espiritualmente falando o que o ocorreu foi o seguinte: Deus iniciou a restauração de verdades esquecidas com Lutero, John Huss, Wesley, João Batista e outros. Cada um com a sua luz/verdade, (salvação pela fé, batismo por imersão, livre-arbítrio e etc.). Contudo os movimentos foram por sua vez em regiões do mundo diferentes até mesmo por já ser o necessário para muito rebuliço no Mundo Antigo (Europa oriental e ocidental). Cada um dos reformadores morreu com as suas verdades e fieis a luz que receberam, por exemplo, Lutero faleceu tomando vinho, comendo carne de porco e celebrando o domingo, muito provavelmente. Mas foi fiel a sua consciência e a toda luz que possuía. 

Com o passar das lutas teológicas, territoriais e políticas a reforma/revolução estagna por volta de 1798 com a "falência" do Vaticano e aprisionamento do Papa Pio VI pelo general Berthier de Napoleão.

Por volta de 1830 muitas coisas já haviam ocorrido, como a publicação da Bíblia do Rei Tiago da Inglaterra (King James Version) e a Concordância Bíblica de Alexander Cruden, ferramentas (usadas por Guilherme Muller) que seriam um fator importantíssimos para o continuar da história protestante. O que Deus deseja agora fazer é continuar o que havia parado (por vários motivos, como acalmar e amadurecer o mundo diante do que foi revelado). Neste momento com o EUA estabelecido e independente protestando como um país sem Papa e sem Rei, mais luz começa a ser derramada e agora tudo será unido em um movimento só (o movimento do advento).

Unindo o que estava separado, Ele concede mais luz e é neste momento que a coisa vai diferir grandemente. A nova luz fez total diferença, e o mundo "protestante" fica para trás ao não aceitar, tornando-se posteriormente evangélicos, pentecostais e carismáticos.
As luzes que diferem drasticamente são, por exemplo, a compreensão do santuário celestial e a obra sumo sacerdotal de Cristo! O mundo evangélico não compreendeu o santuário (terrestre e celestial) e basicamente crê que a obra de salvação se limitou à Cruz apenas, eis um dos motivos da frase "uma vez salvo, salvo para sempre".

Só esta luz nos abre um leque de verdades bíblicas gigantesco, fazendo toda a diferença justamente por entrar as 2300 tardes e manhãs de Daniel que culminam com o levantar do movimento do advento em 1844 por exemplo, entra também todo o período de 1260 da idade média/inquisição e outros tantos fatores doutrinários.

Outro ponto, é o próprio dom de profecia para os últimos dias manifestado na Ellen. Deus sempre levantou profetas todas as vezes que precisou restaurar verdades e levantar um povo. Fez isso com Moisés, o primeiro grande profeta que guia o povo, escreve livros e se estressa muito pra variar também (rsrs), afinal de contas, a obra é dolorosa.

Depois de Moisés, João Batista é o profeta que faz a transição do santuário terrestre para o celestial quando diz que Cristo é o cordeiro de Deus que veio tirar o pecado do mundo. O véu do santuário rasga-se de alto a baixo simbolizando o fim das atividades terrestres no tabernáculo/santuário. Neste momento da história Deus também precisou restaurar verdades que se perderam e para isto Paulo é chamado como o maior restaurador dos dias apostólicos. O livro de Hebreus é nada mais nada menos que a restauração das verdades quanto ao santuário que se perderam (dentro do próprio povo de Deus). Chegando portanto em 1844, tudo de novo (se anteriormente verdades se perderam em meio ao Seu povo, quanto mais em meio a um mundo sem um povo!).

Agora, neste momento da história, além de verdades perdidas, há também a necessidade de nova luz (por vários motivos, um deles: o tempo do fim). Mais um vez o(a) profeta discorre clareando a mente do Seu povo sobre o santuário como fez Moisés, João e Paulo, porém desta vez com maior profundidade e especificamente sobre o Celestial. Deus foi obrigado a levantar o dom profético, não há como o fim chegar sem clarear o que havia se perdido e o que não havia nem sido compreendido!!!

Questões sobre a natureza de Cristo como humano e divino também complicam entre os evangélicos e os adventista. Um das questões mais polêmica é sobre a natureza do pecado, que para o adventismo em seus primórdios definiu-se por transgressão da lei de Deus como um ato escolhido, já o mundo evangélico crê (em sua maioria) no pecado original (até porque negam a lei Divina também), doutrina que defende o nascer com pecado (sua natureza é pecado) e não em pecado (com uma natureza pecaminosa/propensa para pecar/transgredir a lei). Pessoalmente,  lamento que haja hoje muitos adventista inclusive até teólogos crendo igualmente a eles.

Questão:
É, acho que compreendi agora. Mas diga-me, o pecado original é uma doutrina bem católica, não?

Resposta:
Sim! Exemplo clássico é a “necessidade” de batizarem crianças justamente por crerem que já nascemos com pecado. Deste conceito vem também a doutrina da Imaculada Concepção de Maria, pois quando St. Agostinho surge com esta de pecado original, logo eles se deram conta de Maria e Cristo, ou seja: se nascemos com pecado, Maria era humana e Cristo nasce dela, logo, Maria teve que ser imaculada para que Cristo nascesse sem pecado! 

O que não há registro bíblico e nem necessidade de ter ocorrido, pois pecado é transgressão da lei como ato. Temos o livre-arbítrio sempre!!! Nascemos propensos para o pecado mas não pecando, até mesmo porque Deus não toma em conta o tempo de ignorância conforme é descrito no livro de Atos.

Isso tudo deixa a história da redenção/encarnação muito mais sublime, afinal de contas Cristo veio propenso como nós, poderia ter pecado (caso contrário o deserto da tentação foi um teatro) mas não pecou e exemplificou como podemos vencer pelo poder do Espírito! Escolhemos não transgredir a lei e o Espírito nos concede o poder. A escolha sempre foi e sempre será humana, mas o auxílio/poder, sempre Divino! Afinal de contas, somos salvos pela graça/poder/sangue de Cristo e não por nossas obras. A escolha portanto é apenas o respaldo entregue a Deus, justificando assim Sua ação em nosso coração diante do universo. Ele sempre nos respeitará, diante de nossas escolha.

Só pra ratificar, dois textos da Ellen que deixam bem claro a questão do pecado:

"Pois bem, precisamos compreender o que é o pecado - a saber, que ele é a transgressão da lei de Deus. Essa é a única definição dada nas Escrituras." - Fé e Obras, pág. 56

"Terrível condenação está reservada ao pecador, e, portanto, é necessário que saibamos o que é pecado, para que possamos livrar-nos de seu poder. João diz: "Todo aquele que pratica o pecado também transgride a lei, porque o pecado é a transgressão da lei." I João 3:4. Temos aqui a verdadeira definição do pecado; ele "é a transgressão da lei"." - Idem, pág. 117

Veja, se juntarmos a afirmação dela dos dois textos (única definição/verdadeira definição) poderíamos ter a seguinte afirmação: "A única e verdadeira definição de pecado é: transgressão da lei de Deus".

Mas com sinceridade, isso é tão polemico no meio teológico e há adventistas e evangélicos no geral que complicam mais ainda as coisas. Pessoalmente, prefiro ficar muitas vezes calado e ao lado da inspiração do Espírito Santo nos escritos da Ellen e ponto final (opinião pessoa, espero ser respeitado).

Questionador:
Sim, sim... E se essa á única definição clara na bíblia, não é preciso fazer malabarismos conceituais para compreender.

Resposta:
Mas fazem malabarismos. Até porque olhando pela ótica espiritual é tudo o que o inimigo de Deus deseja: que não compreendamos isso e que não abandonemos o pecado, pois se nossa natureza é o pecado em si, não há o que fazer aqui e agora, só quando Cristo voltar (é o que muitos afirmam), o problema no entanto é: o toque que Cristo dará em seu retorno, será um toque de restauração física, a imortalidade/incorruptibilidade que Paulo fala em Coríntios.
Ou seja, a obra do espirito/caráter é feita no tempo que há graça, quando o Santuário se fecha e Cristo vem (Apocalipse 14:14-16) Ele estará fora do santuário e não haverá mais intercessão, em outras palavras, Ele só irá glorificar o que já foi em sua essência transformado! 

E Lúcifer deseja isso? Jamais, pois isto implica intrinsecamente no fim do conflito, bem como no seu fim!!!